- Sobre o Livro:
O Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago
1999, Editorial Caminho
445 páginas
- Sobre o Autor:
José Saramago nasceu na Azinhaga a 1922 e tornou-se o primeiro português na área da literatura a receber um Nobel, a 1998. Começou a escrever com 25 anos, lançou Terra do Pecado, mas de seguida fez um hiato de 30 anos. O seu livro que recebeu o Nobel, Memorial do Convento, está no programa de português do ensino nacional e foi considerada a sua obra-prima. Entre os demais, destacam-se O Ano da Morte de Ricardo Reis, História do Cerco de Lisboa e Ensaio Sobre a Cegueira. Faleceu a 2010 em Lazarote e foi cremado em Lisboa; as suas cinzas descansam sobre uma oliveira da sua terra natal plantada em terra vinda de Lazarote, à frente da casa onde viveu, agora chamada de Casa dos Bicos - Casa Museu José Saramago. No seu epitáfio lê-se "mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia", última frase do Memorial do Convento.
- Sobre a História:
Já sabemos que José Saramago não tem uma relação considerada amigável com a Fé Cristã e neste livro dá-nos a entender os porquês da sua razão.
Basicamente o autor conta-nos a história de Jesus Cristo, o Filho de Deus, desde o momento em que foi fecundado até quando foi crucificado. Mas é-nos mostrado não um Deus misericordioso e bondoso, que sabe que tem o destino nas nossas mãos e a quem recorremos nos momentos mais aflitivos onde a esperança parece acabar, mas sim um Deus desonesto, ganancioso pelo poder, sem olhar a modos e meios para alcançá-lo, cujo melhor amigo é o Diabo.
Ao longo do livro, somos confrontados com a vida de Jesus Cristo, a procura do seu eu e da história do seu pai ao mesmo tempo que lida com a descoberta de que Deus o escolheu para um sacrifício humano, em troca da sua morte, Jesus seria relembrado para sempre e espalharia a fé cristã. Claro que Jesus ao conhecer um deus tão tirano, não quer este seu futuro, mas acaba por cumpri-lo.
Dou especial atenção a uma parte da história, em que Jesus, Deus e o Diabo se encontram numa barca no mar, e falam durante 40 dias e 40 noite. Aí, Deus conta o destino de Jesus e o destino da fé cristã (durante 3 páginas diz o nome dos futuros mortos pela Igreja e a Inquisição) e Jesus encontra-se numa posição desconfortável, visto não ser este o futuro que ele quer. O Diabo oferece uma proposta: Se Deus aceitasse o Diabo no céu, perdoando-o, não haveriam mortes pela Igreja, guerras nem maldades, e o mundo viveria em paz.
É aqui que José Saramago tira o capuz a Deus e mostra a sua verdadeira faceta: Deus recusa e diz que o mundo precisa de maldade para as pessoas se virarem para fé cristã. Claro que é uma faca de dois gumes, mas nem mesmo a bondade que o Diabo traz no coração, faz Deus demover os seus interesses gananciosos.
É uma leitura um tanto quanto extensa, mas muito gira. Mais uma boa história contada pelas mãos de José Saramago, que até faz referência a Fernando Pessoa! Aconselho toda a gente a ler, pois nos dá uma nova perspectiva da religião e fé, e claro, das pessoas.
- Classificação:
4.5/5

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